28/11/2018 16h32 - Atualizado em 28/11/2018 16h32

SIMTED assina carta manifesto em homenagem a estudante Maiana

Por: Assessoria
 
 
Momento da leitura da carta manifesto
reprodução/YouTube Momento da leitura da carta manifesto
reprodução/YouTube

O SIMTED Dourados assinou a carta manifesto do COMAFRO (Conselho Municipal de Defesa e Desenvolvimento dos Direitos dos Afro Brasileiros) em homenagem a estudante de História Maiana Barbosa Oliveira, de 20 anos, e sua filha Dandara, de apenas 1 mês, que foram mortas no último domingo (25) em Dourados (MS).

Veja abaixo a carta manifesto na íntegra, lida durante a Audiência Pública "Resistência e Luta do povo Negro", realizada nesta terça-feira (27), na Câmara Municipal de Dourados.

Carta manifesto – Maiana Oliveira, presente!

Maiana, antes de mais nada, mulher e negra das terras pantaneiras sul-mato-grossense, capoeirista e estudante do curso de História, morta na mais tenra idade. Mãe da guerreira Dandara durante todo o tempo de gestação somado a mais um mês. Um mês, isso mesmo, foi o tempo de vida que deram a mais uma criança, filha de uma mulher preta e de um pseudopai, branco. Pseudo porque tudo indica que o progenitor encerrou a vida das duas, mãe e erê. Com requintes de crueldade e ódio, não titubeou em acabar com sonhos de vidas melhores e esperanças daquela jovem.

A capoeirista que ele matou tinha uma desenvoltura e talento jamais vistos. Cheia de brilhos nos olhos e com sede de vencer na vida, com ânsia de gingar e afastar os males oriundos do racismo presente em nossa sociedade. Não temia os Aús, se esquivava tranquilamente dos oponentes sempre de cabeça erguida, fortalecida, como uma rainha africana.

Fazia malabares no ar enquanto mostrava o quão forte e resistente era, seja na roda de capoeira, seja na vida. Na curta vida que teve. Como queríamos que ela tivesse usado uma tesoura voadora para mandar a morte pra bem longe. Com um rabo de arraia poderia ter definido e escrito a sua história de uma maneira diferente, caso a covardia de um sujeito não viesse tão sorrateiramente, como uma sombra de um capitão-do-mato, mesquinho e traidor.

Assim, parem de nos matar! As mulheres negras pedem socorro! Ensinem seus filhos a amar em vez de se armar. Ensine-os a respeitar o próximo de uma maneira incondicional. Diga a eles que um "não" é um "não", diferente de "talvez", respeitem as mulheres negras, respeitem as mulheres todas!Lembrem-se que a vida começa por nós e se hoje matam uma Maiana, mil Maianas nascerão, porque resistiremos, como resistimos até agora!

Salve, capoeira. Salve capoeira. Salve!

COMAFRO Dourados (Conselho Municipal de Defesa e Desenvolvimento dos Direitos dos Afro Brasileiros)

 

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